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23 de julho de 2016
8 de junho de 2016
O QUE MAIS ME CUSTA ASSISTIR NO SER HUMANO...
... é a facilidade com que magoa emocionalmente outro. Como as feridas infligidas não são visíveis a olho nu, "espeta-se" inesperadamente a faca, muitas vezes até se faz a roda com ela, e vira-se levianamente costas, sem olhar para trás e muitas vezes sem remorsos de qualquer tipo.
Dizia eu, como as feridas infligidas não são visíveis a olho nu, o ferido questiona-se sobre se vale a pena dizer que está dorido. Na alma e no coração. Provavelmente não lhe será prestada atenção. Porque nada se vê a olho nu. Para muitos.
Mas outros olhares vêem. Outros olhares pressentem a dor, acorrem ao ferido para o confortar e ajudam a limpar as feridas. Mesmo sem que o ferido tenha mencionado onde essas feridas latejam.
Certos olhos conseguem ver a alma e o coração de outros. Porque estão ligados a eles, por milhares de milhões de pequenos fiozinhos. E por isso, se algum pedacinho do coração de um doí, o outro sente a picada e acorre de imediato.
Para amenizar a dor, basta muitas vezes só um abraço. Ou algumas palavras doces. Não é preciso muito quando se tem a certeza de que estamos em porto seguro, em segurança, rodeados de compreensão e empatia.
E não é preciso estar geograficamente próximo para confortar e apoiar. Basta ter o coração no local certo e a alma equilibrada. Os fiozinhos fazem o resto. Mesmo que estejamos a 8.690,2kms de distância. Ou sentadas lado a lado a tomar café.
27 de abril de 2016
PARA OS EUROPEUS ISTO SERIA CONSIDERADO FALTA DE CHÁ...
... mas em Angola, aparecer em casa de alguém sem ter sido convidado é perfeitamente usual e a reacção de quem recebe as visitas inesperadas é sempre de alegria, abrindo os braços para oferecer um forte abraço e felicitando sempre quem chega com um "Bem vindo! Entra, a minha casa é a tua casa!"
Ora eu, europeiazinha de gema e com a regra de boa etiqueta gravada na cabeça de que não se deve ir a casa de alguém sem ser convidado, senti-me muito desconfortável quando em Dezembro do ano passado, cerca de 3 meses após a minha chegada a Angola e de vivência num condomínio privado, me aparecem à porta 3 meninas, que eu não conhecia de lado algum, para brincar com as minhas filhas. Eram nossas vizinhas no condomínio, tinham já visto as minhas filhas a passear no condomínio e portanto decidiram vir a nossa casa apresentar-se e brincar. Assim, sem complicações, sem problemas, sem maldades.
E quando entraram pela primeira vez em nossa casa, trataram-me logo por "tia" (já te falei disso aqui), e falaram comigo como se já nos conhecêssemos à muito tempo, e foram brincar com os meus filhos, e sentiram-se perfeitamente à vontade em nossa casa, e pediram para lanchar, e fizeram perguntas, e agradeceram as termos recebido tão bem, e foram-se embora com a promessa dada de voltarem no dia seguinte.
Tudo isto foi vivido por mim na primeira vez com grande stress - por não saber o que fazer, o que dizer, como me comportar.
Mas depois, esta forma de ser entranha-se lentamente. E hoje em dia, embora ainda não consiga aparecer sem avisar em casa de alguém - o meu lado europeu ainda não me permite essa descontração - já abro os braços para oferecer um forte abraço a quem vem a minha casa sem avisar. Porque por estes lados, todos os momentos são perfeitos para celebrar o convívio, a amizade e, acima de tudo, a vida!
Faz sentido, não achas?
26 de abril de 2016
OS FIOZINHOS QUE NOS UNEM
Pode ter sido dois pirralhos de 2 anos que agora estão uns pré-adolescentes assustadoramente crescidos a razão de nos conhecermos, mas foi a tua forma de ser e estar no mundo que me fez gostar de ti e querer te manter na minha vida, fará neste setembro 10 anos.
Conheci pessoas antes de ti que julgava poderem pertencer para sempre ao meu núcleo, mas afinal estava enganada - não por responsabilidade delas mas antes inteiramente minha - porque as minhas expectativas em relação a elas estava errada.
Conheci pessoas depois de ti que depressa se instalaram também no meu coração e julgo que também andarão por cá algum, arrisco muito, tempo, porque já sei o que quero e quem quero ao meu lado na minha vida.
Esta distância que nos separa só tem servido para cimentar o bom que nos une. Esta distância que nos aproxima tem-me ensinado que o que é real não desaparece só porque não estamos no mesmo local. Esta distância que agora faz parte da minha vida tem sido uma aliada para mim - agora vejo-o - porque só com o confronto da distância me dei conta que continuo presente em todo o local, pois vivo no coração das pessoas que gostam de mim, assim como elas vivem no meu.
Embora sinta que neste momento o meu lugar é a 8690,2kms de distância de ti, os fiozinhos que nos ligam estão bem apertados e vibram muito, sempre, todos os dias! Porque todos os dias estás comigo, no meu coração!
Gosto muito de ti.
18 de abril de 2016
Dos abraços...
Li uma frase deliciosa que dizia que um abraço é um aperto que alivia.
Sem dúvida: um abraço bem dado deita por terra as saudades e reduz a distância e o tempo.
Gosto muito de escrever algo que só TU entendes!
:)
Sem dúvida: um abraço bem dado deita por terra as saudades e reduz a distância e o tempo.
Gosto muito de escrever algo que só TU entendes!
:)
17 de março de 2016
AINDA AS AUSÊNCIAS...
Sabes, vou ter mais uma sobrinha na família, desta vez do lado do meu irmão. Estou super contente por eles porque vão ter uma linda bebé, pelos meus filhos porque vão ter outra prima e por mim porque vou ser novamente tia.
Mas ao mesmo tempo sinto uma certa tristeza porque... não estou a ver a barriga da minha cunhada a crescer, não posso falar para a bebé para ela ir conhecendo a minha voz, não posso dar o abraço que queria ao meu irmão para o felicitar pela magnifica fase da sua vida em que está prestes a entrar.
Isto das ausências é tramado. Perdem-se muitas coisas. Outras tantas passam-nos ao lado.
Sei que a ligação com a minha sobrinha vai ser imediata assim que a tiver nos meus braços pela primeira vez. Mas nos "entretantos" estou aqui, a 8.690,2kms de distância dela.
E cada vez vai doendo menos. Mas ainda dói...
15 de março de 2016
Da ausência...
... sim, é verdade!
Não ando distante de ti, mas ando ausente.
Do que realmente gosto de fazer.
Do ter tempo para o fazer.
De mim!
A verdade é que os últimos tempos têm sido de aprendizagem.
De constatação de que realmente, não sendo ninguém, vou sendo alguém.
De que eu também conto.
A imagem que escolheria hoje para esses tempos seria a de uma bulldozer a tentar levar tudo à frente - mas comigo, de pé, sem vergar.
Sim, é verdade, estou ausente. Mas só aparentemente.
Num lugar mágico onde apenas entra quem importa, no meu coração, estou presente e bastante ativa.
Apenas ainda não é tempo de o exteriorizar.
(fica a satisfação para quem nos lê; porque tu sabes... certo?)
Não ando distante de ti, mas ando ausente.
Do que realmente gosto de fazer.
Do ter tempo para o fazer.
De mim!
A verdade é que os últimos tempos têm sido de aprendizagem.
De constatação de que realmente, não sendo ninguém, vou sendo alguém.
De que eu também conto.
A imagem que escolheria hoje para esses tempos seria a de uma bulldozer a tentar levar tudo à frente - mas comigo, de pé, sem vergar.
Sim, é verdade, estou ausente. Mas só aparentemente.
Num lugar mágico onde apenas entra quem importa, no meu coração, estou presente e bastante ativa.
Apenas ainda não é tempo de o exteriorizar.
(fica a satisfação para quem nos lê; porque tu sabes... certo?)
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