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19 de setembro de 2017

ONDE ESTOU...?

Sabes, ainda não aterrei. Quer dizer, claro que sim, os meus pés tocam este solo luso mas... mas ainda não aterrei.

Ainda não tenho casa minha, ainda não tenho trabalho meu, ainda faço constantemente e sem me dar conta comparações entre o meu modo de vida em Angola e em Portugal, ainda estou na fase dos reencontros e abraços, ainda me sinto deslocada, ainda apaziguo dolorosas saudades de quem conheci em Angola, ainda sinto o cheiro da terra angolana e ainda visualizo as maravilhosas palmeiras e as águas quentes do Mussulo de forma tão clara que até parece que basta ir já ali apanhar uma chata* para passar um dia maravilhoso de praia com os miúdos.

Ainda me sinto a retornada. A que regressou para iniciar a sua vida na terra que a viu nascer. A que foi e teve tanto mas agora está a correr atrás para ter o básico.

Sim, posso estar a ser melodramática. Mas a sensação de estranheza é constante. É diária. 

Sei que vai passar. Não sei é quando. E isso faz-me confusão...


* pequena lancha que faz a ligação entre a costa de Luanda e a peninsula do Mussulo

25 de agosto de 2016

CLICHÉ AMBULANTE

É oficial: sou um cliché! Sou a emigrante de volta à terra no querido mês de Agosto, a correr de um lado para o outro para poder visitar a familia e amigos e assim apaziguar as saudades sentidas durante um ano inteiro, a dizer (e sentir) que é em Portugal que o nosso coração está e a gabar-me de tudo o que há de diferente no outro país.

E agora que falta pouco mais de uma semana para deixar Portugal e voltar ao país que por agora alberga a minha casa, começo a sentir a angustia da saudade que vai bater e a antecipar as lágrimas que vão rolar no aeroporto 5 minutos antes de passar para a zona de embarque.

Rai's parta o cliché!

23 de julho de 2016

MINHA QUERIDA, QUERIDA AMIGA, HOJE É ASSIM...

Créditos: https://br.pinterest.com/pin/557672366341286953/

26 de abril de 2016

OS FIOZINHOS QUE NOS UNEM

Pode ter sido dois pirralhos de 2 anos que agora estão uns pré-adolescentes assustadoramente crescidos a razão de nos conhecermos, mas foi a tua forma de ser e estar no mundo que me fez gostar de ti e querer te manter na minha vida, fará neste setembro 10 anos.

Conheci pessoas antes de ti que julgava poderem pertencer para sempre ao meu núcleo, mas afinal estava enganada - não por responsabilidade delas mas antes inteiramente minha - porque as minhas expectativas em relação a elas estava errada.

Conheci pessoas depois de ti que depressa se instalaram também no meu coração e julgo que também andarão por cá algum, arrisco muito, tempo, porque já sei o que quero e quem quero ao meu lado na minha vida.

Esta distância que nos separa só tem servido para cimentar o bom que nos une. Esta distância que nos aproxima tem-me ensinado que o que é real não desaparece só porque não estamos no mesmo local. Esta distância que agora faz parte da minha vida tem sido uma aliada para mim - agora vejo-o - porque só com o confronto da distância me dei conta que continuo presente em todo o local, pois vivo no coração das pessoas que gostam de mim, assim como elas vivem no meu. 

Embora sinta que neste momento o meu lugar é a 8690,2kms de distância de ti, os fiozinhos que nos ligam estão bem apertados e vibram muito, sempre, todos os dias! Porque todos os dias estás comigo, no meu coração!

Gosto muito de ti.

17 de março de 2016

AINDA AS AUSÊNCIAS...

Sabes, vou ter mais uma sobrinha na família, desta vez do lado do meu irmão. Estou super contente por eles porque vão ter uma linda bebé, pelos meus filhos porque vão ter outra prima e por mim porque vou ser novamente tia. 

Mas ao mesmo tempo sinto uma certa tristeza porque... não estou a ver a barriga da minha cunhada a crescer, não posso falar para a bebé para ela ir conhecendo a minha voz, não posso dar o abraço que queria ao meu irmão para o felicitar pela magnifica fase da sua vida em que está prestes a entrar.

Isto das ausências é tramado. Perdem-se muitas coisas. Outras tantas passam-nos ao lado.

Sei que a ligação com a minha sobrinha vai ser imediata assim que a tiver nos meus braços pela primeira vez. Mas nos "entretantos" estou aqui, a 8.690,2kms de distância dela. 

E cada vez vai doendo menos. Mas ainda dói...

24 de fevereiro de 2016

Se o Feiticeiro de Oz pudesse tele-transportar-nos...

Sabes, no outro dia partiu-se-me o coração...

Perante uma saída de casa para umas meras compras e o meu aviso a toda a criançada para se prepararem para sair, o P. atira-me com esta: "Mamã, vamos a casa dos avós, vamos, vamos,vamos?!?!", diz ele todo contente perante a perspectiva de os rever.

Ele não sabe. Ainda não sabe. Ainda não tem a noção de que estamos a 8.690,2 kms de distância da casa dos avós. Não tem a noção de que, mesmo que saíssemos naquele instante em direcção a casa dos avós, demoraria pelo menos 10 horas a lá chegar. Não tem a noção de que estamos longe, muito, muito longe da casa dos avós.

"Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore.", disse a Dorothy.

Meu doce P., tenho a impressão de que já não estamos em Portugal ...

2 de fevereiro de 2016

BABAS E BEIJOQUICES

Créditos: www.lovethesepics.com

O meu mais novo ultimamente anda um beijoqueiro! Será por ter 3 anos e ser rapaz?! Os teus rapazes passaram por esta fase? Agora, a toda a hora, o P. corre para mim e quer dar-me um beijinho na face. Outras vezes é um beijinho na face, outro no nariz, outro no queixo e por ultimo outro na testa. Exactamente por esta ordem.

Quando lhe ralho porque desobedeceu a uma ordem ou fez uma asneira propositadamente, põe o olhar "Gato das Botas do Shrek" e dá-me um beijinho. Para me engraxar e amolecer.
(e consegue o seu intento...)

Outras vezes teima que seja eu a vesti-lo e não o pai, mas como os adultos insistem na distribuição de tarefas, tem de me dar um beijinho antes de o pai o vestir.

Mas ontem foi "O" dia da beijoquice! Depois de um primeiro dia de infantário com choro matinal, o final da tarde foi radicalmente diferente: assim que pôs os olhos em mim e no pai, correu na nossa direcção, subiu para o meu colo e deu-me beijos na face até mais não, com uma alegria tal que parecia que tinha estado longe de nós durante um mês! Foram tantos os beijos que a dada altura as minhas bochechas ostentavam baba! Mas não me importei nada com isso. 

Nunca me soube tão bem ter o meu filho beijoqueiro nos braços como ontem...

1 de fevereiro de 2016

AGONIAS E APERTOS...

Como sabes, iniciou hoje a escola para os meus filhos.

Nestes últimos dias, antecipei deliciar-me com o sabor do silêncio em casa. Imaginei a imagem dos meus pulmões a encherem-se de ar por eu finalmente respirar fundo. Visualizei-me a sorrir perante a casa vazia de crianças, sem brinquedos e migalhas de pão espalhados por todo o lado. Projectei alegria no meu coração por este dia finalmente ter chegado.

Mas amiga, eis a realidade:
Sinto-me agoniada e com o coração apertado. Entrei em casa depois de entregar os meus filhos e estranhei, de uma forma esquisitamente má, o silêncio reinante. Os meus pulmões não conseguem encher-se de ar porque o meu peito está apertado de preocupação. Arrumei os brinquedos esquecidos ontem na sala de estar e suspirei de melancolia. O meu coração sente-se um pouco triste...

Foram muitos meses a ser mãe a tempo inteiro, 24 horas por dia, 7 dias por semana. E agora que finalmente estou sem eles durante o dia, agora que finalmente tenho tempo para mim, sinto um vazio. O que vou fazer agora sem eles? O que vou ser eu agora sem eles? Como vou ser eu agora sem eles?

Se calhar... agora é o tempo de cuidar de mim. De me colocar em primeiro lugar. De me sentir eu novamente. De me recuperar novamente...

... pelo menos até à hora de ir buscar os miúdos à escola, depois vou ser toda mãe novamente! E ansiosa por saber como lhes correu o dia!
(com a certeza de que não vão querer saber como correu o meu...)

6 de janeiro de 2016

NOVO ANO...

... novo calendário, novos cortes de cabelo, nova escola, novas rotinas escolares, novos desafios para conhecer novas amizades, novas fardas escolares, novas ansiedades maternais (ou se calhar as mesmas de sempre...), novos trabalhos de casa, novas horas de ir para a cama, novas horas para acordar.

Muita coisa nova a acontecer por estes lados.

Mas algo vai-se manter igual: a saudade de quem comigo partilhou sempre os novos anos lectivos, as novas aprendizagens, as novas ansiedades maternais (ou se calhar as mesmas de sempre...), os novos desafios vividos e apresentados pelos petizes...

Um beijinho grande para ti Amiga, também estás sempre comigo! 

22 de dezembro de 2015

NATAL ANGOLANO COM SABOR A SAUDADE


Este Natal vai ser vivido de forma bem diferente, por razões óbvias: estamos em Angola, com temperaturas diárias a rondar sempre os 30 graus e em que idas à piscina caseira são também diárias para apaziguar o calor sentido. Ao qual o nosso corpo ainda se está a habituar.

Temos a nossa árvore de natal com grande carinho enfeitada. A nossa casa está decorada com apontamentos natalícios. Embrulhos de vários tamanhos e feitios aconchegam o nosso presépio junto à árvore de natal. As ementas da véspera e do dia de Natal estão devidamente planeadas e os ingredientes necessários adquiridos.

No entanto, apesar de todos estes preparativos... sinto falta dos nossos jantares de natal. Sinto falta das trocas de presentes "amigo oculto" (que presentes memoráveis já cada um recebeu...), da conversa entre adultos que se estende até altas horas da noite, dos mais pequenos que adormecem no sofá e dos mais graúdos que aproveitam o facto de os adultos estarem na conversa para quebrarem todas as regras de tempo limite de televisão à noite.

Sinto uma saudade imensa das dificuldades em arranjar uma data para os nossos jantares de natal. E da correria para ter/fazer/comprar os presentes que entendo perfeitos para oferecer à tua prole. Sinto falta de comprar Coca-Cola só para aquela pessoa especial.

Sinto falta de querer ajudar-te a arrumar a tua cozinha e tu delicadamente me expulsares de lá - ficava um pouco preocupada contigo pois queria ajudar-te numa tarefa que é tão chata (pelo menos para mim...), mas ao mesmo tempo essa tua postura fazia-me sentir tão especial, porque eu entendia que não querias perder nem um minuto a arrumar ou limpar, para poderes usufruir inteiramente da nossa companhia.

Sinto uma saudade imensa de olhar para o sorriso nos olhos dos teus filhos. Sinto falta de ver os meus filhos a brincar com os teus. Tenho saudades de ficar a conversar contigo até faltar um minuto para o toque da escola. Sinto falta de discutir contigo quem paga o café naquele dia.

Sinto falta dos vossos abraços. Sinto falta de vocês.

Para mim, o Natal começava com os jantares de Natal. Por mais canela que vá colocar no leite-creme e na aletria, este primeiro Natal Angolano vai ter um sabor diferente. 

E apesar das tuas doces palavras de reconforto e incentivo que me apaziguam um pouco o coração, a refeição deste Natal terá mais um ingrediente: a Saudade.