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17 de fevereiro de 2016

DOCE INCONSCIÊNCIA DO PERIGO

Créditos: www.ulengocenter.co.ao

Lembras-te das “Cadeirinhas”, uma atracção nas Feiras Populares de Lisboa e Porto, proibidas devido a um grave acidente durante um S. João no Porto que causou vítimas mortais? No Ulengo Center, um parque de diversões situado no município de Belas em Luanda, podemos encontrar esta famosa atracção, que até é permitida a crianças com menos de 10 anos. Um must!

Neste parque de diversões podemos também temer pela vida dos nossos petizes na roda gigante comprada em segunda mão e que manifesta claramente falta de manutenção, na montanha-russa cujo barulho que as ferragens fazem lembra um edifício prestes a ruir e ainda no mini comboio da mini montanha russa que embora tenha cintos de segurança para evitar que a criançada que se lembre de se levantar a meio da viagem não consiga saltar do comboio em andamento, não tem qualquer procedimento de segurança para evitar que a criançada saia do mini comboio quando esta pensa que a viagem terminou e se prepara para sair do comboio e de repente... o comboio arranca novamente! 

Qual foi o procedimento de segurança a que eu assisti nesta atracção? O meu grito de pânico quando num segundo vi uma criança a sair do comboio e no segundo seguinte o comboio arranca! O motorista do comboio pára e a criança volta a sentar-se. Porque eu gritei com a criança prestes a cair no fosso entre o passeio e o comboio para ela se sentar novamente, queda esta capaz de raspar joelhos e braços, de causar contusões na cabeça e sabe-se lá mais o quê.

No meio do espanto por parte destes adultos relativo às parcas condições de segurança de alguns equipamentos, a nossa criançada estava alegre e ingenuamente alheia ao facto de se poderem magoar à séria com certas atracções disponíveis neste parque de diversões.

Valha-nos a sua ignorância pois ela traz felicidade. Valha-nos a nossa atenção redobrada pois ela traz... idas ao hospital desnecessárias.

11 de fevereiro de 2016

ANDAR DESCALÇO E CONTACTOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU

Quando era pequena adorava andar descalça no pátio da casa dos meus pais. E no verão a casa aquecia tanto que ter a palma do pé em contacto com a tijoleira fria da cozinha era uma das minhas formas preferidas para aguentar o calor.

Em Luanda está sempre muito calor. Mesmo quando chove (as famosas chuvas tropicais em que de repente cai uma tromba de água durante 10 minutos que tudo inunda!) o ar está sempre muito quente. As casas levam com o sol escaldante o dia inteiro e portanto são uma sauna. O ar condicionado nas divisões principais de uma casa é uma necessidade básica, não um luxo. E perante tanto calor, só apetece andar descalço, dentro de casa e fora.

Só que há uma pequenininha, tinyzinha, pituchizinha diferença entre andar descalço dentro de casa ou no pátio, em Portugal e em Angola: bichos rastejantes!

Por estes lados, andar descalço incorre no perigo de calcar gafanhotos, centopeias de 6 centímetros, baratas castanhas e pretas, lagartas nojentamente peludas, lagartixas pequeninas de 6 centímetros ou grandes de 10 centímetros (sim, a partir de 9,5 cm já são por mim consideradas grandes!), formigas de 9 milímetros (que parece que se morderem, nos arrancam um dedo do pé...) ... enfim, uma miríade de fauna maravilhosa para se ter um contacto próximo e quem sabe até combinar um café num final de tarde, se eu fosse o Charles Darwin nas Galápagos.

Mas não sou. Sou apenas a Sónia que tem horror a estes bicharocos. Nada contra estas espécimes, acredito que devem ser seres simpáticos e até bastantes conversadores, mas daí a ir tomar um café com eles... 

E só de imaginar o meu pé a tocar, mesmo ao de leve, em algo potencialmente peludo ou crocante e que me pode morder e/ou transmitir alguma doença que só existe por estes lados e para a qual não há vacinas e mesmo que houvesse só há num hospital qualquer o tratamento necessário mas que é longe daqui e cujas estradas para lá chegar são quase intransitáveis e quase que nem vale a pena tentar o tratamento lá e portanto resta-nos rezar para que todas as vacinas que tomamos ao longo da vida mais as obrigatórias que nos injectaram antes de viajarmos para o continente africano tenham servido para alguma coisa e quem sabe - quem sabe! - o nosso corpo até tenha a capacidade e resistência para lidar com estes novos desafios! (ufa... deixa-me respirar...)

Em resumo: podemos andar descalços por estes lados. Mas pelo sim pelo não... é melhor ter a chinela entre o pé e o chão!